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nas nuvens

o blog da Catarina

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29
Set17

esta coisa de amarmos a sexta-feira

Esta coisa de amarmos a sexta-feira é mau sinal.

 

Ou antes, esta coisa de deprimirmos ao domingo e odiarmos a segunda-feira é mau sinal. Sinal de que não andamos a fazer o que queremos, ou que a vida que nos foi prometida nos filmes não é a vida que levamos.

 

Fri-yay.

 

 

Chegar ao domingo e sentir ansiedade porque as horas estão a passar e não há nada que possamos fazer para trava-las é das piores sensações que já experimentei. Cheguei a senti-la semanalmente. Agora já só sinto de vez em quando.

 

Mas esta fixação pela sexta-feira é demasiada. A sexta-feira é a passagem de ano dos dias da semana. Na passagem de ano, planos e combinações imensas resumem-se depois num pequeno “nhé, foi fixe”. Com sorte conseguimos dançar as músicas favoritas do ano (aqueles sons pirosos do verão), acender um daqueles pauzinhos que espetávamos antigamente no bolo de aniversário, tirar uma foto com bigode ou óculos de papel e fazer render corações no Instagram, dar um beijinho mais acalorado. E foi isto, mais uma noite igual às outras, gelada como muitas, com a exceção de que gastámos ainda mais dinheiro. Com azar ouvimos a piada mais velha das passagens de ano: “ei, já não te via há um ano!” – porquê?

 

A sexta-feira é isto tudo mas todas as semanas. Acordo a pensar “Sim! Sexta-feira!!! Vou viver intensamente as horas seguintes ao trabalho porque mereço! Sou jovem, a vida corre-me nas veias”. Mas não. Chegam as 18h30 e com elas o casal sensação desta jovem quase nos 30: o cansaço e a preguiça. Vêm de mãos dadas e convidam-me para o sofá. Explicam-me que o sol já não aquece nos miradouros, os jardins estão cheios de universitários excitados e barulhentos, a rua cor-de-rosa com muitos ingleses tresloucados. Eu aceito, resignada. Penso: “A vida também é isto; descansar, fazer zapping e acabar por ver o Ridiculousness”. E assim chega o famoso “nhé, está fixe”.

 

Enfim, o que eu quero transmitir é que sexta-feira não é assim tão fixe, por isso calma convosco. Acaba por ocorrer tudo à sexta-feira – o stress, o prazo que acaba, o trabalho extra e prioritário que chega e estraga os nossos planos, o almoço rápido no tupperware mal aquecido, a dor de cabeça.

 

Ainda assim, estou animada; porque hoje não deixa de ser sexta-feira e, comparando com outros dias (como a terça – quem me conhece sabe que a terça é mesmo o pior dia da semana), é um excelente dia. Posso não fazer nada de especial, mas há uma sensação maravilhosa que só a sexta nos traz: desligar o despertador e imaginar uma manhã de sábado de sono retemperador…

 

Mesmo que acorde, no dia seguinte, às 9 em ponto. Mas isto… dava para outro texto.

 

 

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